Mostrando postagens com marcador Teoria da Arquitectura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teoria da Arquitectura. Mostrar todas as postagens

6.12.12

+ 104





"A vida é um sopro."
Uma pessoa morre e pronto. Nós não somos imortais, fazemos o nosso dia a dia, o nosso trabalho e um dia chegamos a um ponto que parar não faz sentido. O sentido está no viver constante do que nos apaixona. A ele era a curva sinuosa da natureza, da mulher, da sua forma de pensar o espaço. 
Começou a fazer o que tinha que fazer, da tipografia à arquitectura está quase com trinta anos, e parece-me que isto de se ser aquilo que se é suposto ser, relaciona-se com o que Saramago diz numa entrevista, "não tenhas pressa e não percas tempo". 
A contradição aparente revela que não há urgência no que devemos ser, há esse descobrir que demora em cada um o seu tempo, que não deve ser perdido a especular o que se poderá fazer, mas a fazermos o que tem que ser feito dia após dia. Niemeyer não teve pressa influenciou-se no modernismo e começou a construir a sua obra num amadurecimento sem tempo. "O meu trabalho não tem importância, nem a arquitectura tem importância para mim. Para mim o importante é a vida."


16.2.12

+ arquitectura dos livros

 © Boekhandel Selexyz - Merkx + Giron Architecten

 © Bookstore Alexis - Martin Jancok and Ajes Sedivec
© Livraria de Vila - Isay Weinfeld
© Fotografias via Dezeen

A arquitectura surge como conhecimento específico, no seu campo específico de contribuir para a qualidade dos espaços construídos. Para tudo há uma escala, o homem surgem como base dessa escala e tudo o que ele usa se desenvolve em proporção dessa referência. 

O espaço desenvolve-se e constrói-se para que caibam homens dentro, para que seja habitado, vivido e usado. Mas qual será a escala usada quando se pensa em livros? 

Quando se visita a Livraria Lello, a última coisa que se pode pensar é nos livros, nos quais até poderemos tropeçar, pois o fascínio está no espaço que foi construído para ter livros lá dentro. Se a livraria fosse dimensionada para ser um simples espaço comercial, certamente o deslumbre seria outro. Aqui a história do uso e da função, ganha outros contornos, se há coisa que espaços como livrarias suscitam é a vontade de permanecer, uma livraria não é só um espaço onde se vendem livros, onde apenas interessa que se desenhem estantes com 30 ou 40 centímetros de profundidade. 
É isso que se percebe, nas novas respostas arquitectónicas, o livro é a escala de base, mas o homem a escala do uso. Estes espaços aparecem hoje como lugares onde se pode sentar e beber um café, lendo um livro, onde somos convidados a apreciar o espaço pelos livros.

Tivesse a Lello mais sofás.

16.6.09

+ beauty and decline

A beleza está muitas vezes na ausência. "A verdadeira vida está ausente" *
Quando se percorrem as ruas da cidade, encontra-se a ausência da vida e a beleza que existe nessa ausência. Mas não sejamos fatalistas, a ideia aqui é lavar a alma do abandono.

* Emmanuel Levinas

29.5.09

+ por lx [a cultura]


Já que o CCB estava tão ali à mão, nada como entrar e ver o que lá está, e com muita sorte cruzo-me com a exposição, correcção mega exposição do arquitecto Pancho Guedes intitulada Vitruvius Mozambicanus. Nada como entrar no mundo colorido e quente, próprio de quem vive em Moçambique tanto tempo, aqui podem ver os desenhos, a escultura e a liberdade das formas que influenciaram e influeciam este arquitecto tão peculiar, que acredita que as casas não têm de ser caixotes.

29.10.08

Pack up

Packaging is the science, art and technology of enclosing or protecting products for distribution, storage, sale, and use. Packaging also refers to the process of design, evaluation, and production of packages.

28.8.08

leitura(s)

Este mês na edição dupla (Julho/Agosto) da arq./a nada melhor do que as palavras do seu editor para falar da Herança Le Corbusier...

"Apesar das saudáveis opiniões divergentes, é relativamente consensual que Le Corbusier foi o mais importante e influente arquitecto do século XX. Mas qual é o seu legado e como se pode avaliar a sua influência na actualidade? De que modo esse legado se expressa e manifesta na actividade criativa contemporânea? (...)Em termos gerais, a relevância de Le Corbusier parece advir da capacidade da sua obra teórica e prática continuar a produzir novas interpretações, sem nunca esgotar as perspectivas possíveis. De facto, assistimos nos últimos cinquenta anos à construção histórica de Le Corbusier como ideólogo implícito do programa moderno, como pensador empenhado da condição moderna, como arquitecto utópico no âmbito da afirmação da lógica capitalista, como esteta voluntarista da civilização maquinista, como figura demonizada responsável pelos males das cidades contemporâneas, como seguidor humanista da tradição disciplinar clássica, como reinventor criativo das tradições históricas e ancestrais, como génio universal da história da arquitectura, como intérprete empenhado da nova realidade metropolitana, como figura singular de um novo mundo mediatizado, etc. No entanto, tal como acontece com os outros grandes arquitectos da história, a singularidade da obra de Le Corbusier deriva não simplesmente da existência de uma multiplicidade de perspectivas, mas da resistência efectiva à constituição de uma visão sintética e unificadora. A diversidade da sua obra e a imensidade da informação disponível em arquivo determinam a constante emergência de aparentes indefinições, contradições e incompatibilidades no seu discurso e prática, que impossibilitam a constituição de um ponto de vista agregador e, deste modo, uma síntese final do seu pensamento. Le Corbusier continua a ser um mistério e o fulcro da sua obra um enigma por revelar. Talvez isto se deva a essa incapacidade estrutural de vê-lo distanciadamente como uma figura histórica, a essa dificuldade de resolver definitivamente o seu legado no âmbito da história da arquitectura. Como um espectro multifacetado, Le Corbusier permanece como figura central e inultrapassável da nossa contemporaneidade. E a sua presença continua a afirmar-se consciente ou inconscientemente, explícita ou implicitamente, por afirmação ou negação, nas práticas arquitectónicas contemporâneas."

(para saber mais aqui)
ou pode sempre adquirir a revista

26.12.07

A linguagem arquitectónica


Há uma analogia conceptual entre o sistema verbal e o sistema do habitar, tendo em atenção o espaço que habitamos, é notório que este se organiza para que se cumpram funções de acordo com o uso que lhe é dado, significante de valores socioculturais, havendo uma interdependência entre estes valores espaciais da arquitectura.

"Forma e sentido são os elementos da unidade linguística de um sistema de comunicação e a arquitectura tem essa unidade mínima, incindúvel no sentido, decomponível na forma."*Aqui está presente o binómio espaço-comportamento intuído por Bacherlard, que nos revela que quando a forma de um espaço é tal que induz inevitavelmente para uma acção fundamental ou, por outro lado, quando uma acção é tão forte que marca na memória um "sítio" sem forma aparente especificada. Mas forma e sentido surgem como propriedades opostas nos sistemas onde se inserem, no sistema urbano ao contrário do entendimento habitual, uma forma será sempre decomponível em partes, diversas mas relacionáveis; o sentido, esse é indissociável, como a palavra na frase, por isso mesmo só num contexto urbano é que se pode perceber a mensagem proposta através da intervenção arquitectónica ou do seu autor.

* Arquitectura como linguagem, Nuno Portas
Fotografia Olhares.com

24.11.07

O fim da arquitectura?

"Neste início de século, não estamos perante o fim da arquitectura mas sim, claramente, perante o culminar de mais uma transformação profunda do paradigma cultural em que ela se informa.
A utopias de Ebenezer Howard, Le Corbusier ou Archigram, as várias tentativas para a idealização de uma cidade planeada de raiz, como Chandigarh ou Brasília, as sínteses racionalistas sobre o desenho, a morfologia, a tiopologia e a gestao do território, desenvolvidas nos anos 70 por homens como Aldo Rossi, Carlo Aymonino ou Vitorio Gregotti, ou o conceptualismo niilista de Peter Eisenman, Bernard Tschumi ou Hans Hollein, parecem hoje, isoladamente, cada vez menos significantes no contexto da chamada cidade dispersa, dos novos desafios sociais e políticos, das novas provocações económicas ou do novo repto ambiental, percipitando a disciplina da arquitectura na urgência da reinterpretaçao e aprofundamento do modo como se integra e relaciona o território."
Luís Pinto de Faria
professor auxiliar na Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Fernando Pessoa

10.11.07

Rem Koolhaas vs Peter Eisenman

Entre duas perspectivas tão distintas reside um dos dilemas actuais da arquitectura. Concentrar-se na sua própria lógica voltando-se para dentro, correndo o risco do isolamento perpétuo; ou esforçar-se no desenvolvimento de relações externas, correndo o risco da perda da coerência.
Eisenman defende claramente a primeira estratégia, que podemos chamar de less is less em substituição a ambos os paradigmas – Miesianos (less is more) e Venturianos (less is bore).
Koolhaas faz a opção pela segunda, que poderíamos chamar de more is more, para usar um termo cunhado por ele mesmo.
Um representa uma vanguarda de forma enquanto o outro representa uma vanguarda de processo. No discurso de ambos transparecem as suas angústias, no caso de Eisenman disfarçado de certezas que sabemos serem provisórias, no caso de Koolhas disfarçado de incertezas que sabemos serem estratégicas.
Less is less, more is more, entre os dois extremos oscila uma arquitectura que segundo Koolhaas, não dá conta de sua própria modernidade.

29.9.07

What is architecture?


"What is architecture anyway? Is it the vast collection of the various buildings which have been built to please the varying taste of the various lords of mankind? I think not. No, I know that architecture is life; or at least it is life itself taking form and therefore it is the truest record of life as it was lived in the world yesterday, as it is lived today or ever will be lived. So architecture I know to be a Great Spirit....Architecture is that great living creative spirit which from generation to generation, from age to age, proceeds, persists, creates, according to the nature of man, and his circumstances as they change. That is really architecture."
Frank Lloyd Wright
Fotografia do site www.olhares.com

29.7.07

Amar arquitectura



"Quando as pessoas são fortes, podem admitir que a arquitectura explore todas as questões da vida humana.

Quando a arquitectura diz de sim própria:"Estou absolutamente segura e certa" é dessa forma desumana. Porque "ser humano" é ter questões e dúvidas. O papel mais importante do arquitecto é fazer projectos, edifícios, que coloquem perguntas.

Porque se amam as coisas que se amam? Porque, inclusive, usamos a palavra amor? Usamo-la porque não sabemos exactamente o que amamos. Se amamos determinados edifícios, significa que estes estão a desafiar-nos, a obrigar-nos a pensar de uma maneira nova (...). O objectivo principal da arquitectura é introduzir, por um momento, uma ligeira hesitação no modo de pensar."

Mark Wigley, in Ypsilon edição de 27 de Julho

26.7.07

Souto Moura



"Como é costume dizer-se, o arquitecto tem que estar atento ao mundo, mas por outro lado, tem que ser um bocado esquisito. Porque quando tem que desenhar, o mundo é uma folha A4."

Ideia, Luz e Gravidade

A Arquitectura na beleza e essência é uma ideia, que depois de construída ganha uma forma, uma forma que se molda pela luz e pela gravidade.

“A forma em si mesma não existe.” A ideia surge como a base de toda a Arquitectura, esta é composta e movida por ideias, quando em Arquitectura surge uma forma a sua existência é a materialização de uma ideia, não há formas sem ideias. “A forma não é o objectivo do nosso trabalho, mas só o resultado.” Como dependente da existência de uma ideia, a forma não é o objectivo da Arquitectura mas sim o resultado da construção dessa ideia, uma ideia que ganha corpo. A ideia é uma síntese dos vários elementos que compõem a Arquitectura, uma ideia que se constrói, pois a arquitectura necessita como qualquer outra actividade criadora, de ideias que a sustentem. No entanto, estas deverão ser capazes de ser traduzidas com materialidade, como formas.

Assim sendo, depois da materialização da ideia a forma só existe se nela estiver presente a luz, a luz como matéria que se molda e transfigura os espaços e as formas, “ a luz constrói o tempo”. A luz no seu diálogo com os elementos materiais que esboçam a forma define o espaço construído por esse esboço. Esta luz, construtora do tempo é a única capaz de dar tensão a um espaço, criando uma relação deste com o homem, suscitando-lhe emoções.

“Nossos olhos são feitos para ver as formas sob a luz.”
Le Corbusier – “Por uma arquitectura”

“A gravidade constrói o espaço” a materialidade da forma tem uma gravidade intrínseca, os elementos que a compõem dão-lhe esse carácter, esse peso, definindo o espaço. É a materialidade da ideia construída supra citada em que a gravidade constrói o espaço, assim sendo a forma adquire corpo.

20.7.07

Processo [3 actos]



O processo arquitectónico para Louis Kahn


1.Porquê?
2.Quê?
3.Como?


A boa arquitectura é aquilo que através do como podemos entender o porquê. A arquitectura faz uma elação com a própria ideia do homem com o mundo real, aquilo que podemos medir com o que não podemos.
Explica desta forma que o grande edifício deve começar pelo comensurável, de seguida passar para o mensurável e regressar ao comensurável.

4.7.07

Ritmo serial em Peter Eiseman




"O saber é a unidade de estrato que se distribui nos diferentes limiares, não existindo o próprio estrato são como empilhamento desses limiares so orientações diversas, de que a ciência é apenas uma."


Foucault, Giles Deleuze

3.7.07

Teoria[s]




“Não existe arquitectura, só existem obras de arquitectura.” - Louis Kahn

“A arquitectura é uma ciência. Uma ciência da construção.” - Vitruvio

“A arquitectura é a arte do homem de levantar edifícios e decorá-los, qualquer que seja o seu destino ou o seu uso, de forma a que o aspecto final provoque emoções.” – Jonh Ruskin

“Só uma pequena parte da arquitectura é arte.” – Adolf Loos


A arquitectura não é só o espaço que podemos visitar, mas também os sentimentos e emoções que esse espaço nos transmite, esta deve ser percebida, sentida.