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6.12.12

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"A vida é um sopro."
Uma pessoa morre e pronto. Nós não somos imortais, fazemos o nosso dia a dia, o nosso trabalho e um dia chegamos a um ponto que parar não faz sentido. O sentido está no viver constante do que nos apaixona. A ele era a curva sinuosa da natureza, da mulher, da sua forma de pensar o espaço. 
Começou a fazer o que tinha que fazer, da tipografia à arquitectura está quase com trinta anos, e parece-me que isto de se ser aquilo que se é suposto ser, relaciona-se com o que Saramago diz numa entrevista, "não tenhas pressa e não percas tempo". 
A contradição aparente revela que não há urgência no que devemos ser, há esse descobrir que demora em cada um o seu tempo, que não deve ser perdido a especular o que se poderá fazer, mas a fazermos o que tem que ser feito dia após dia. Niemeyer não teve pressa influenciou-se no modernismo e começou a construir a sua obra num amadurecimento sem tempo. "O meu trabalho não tem importância, nem a arquitectura tem importância para mim. Para mim o importante é a vida."


28.10.12

+ quarteirões culturais

© Marta Nunes


A criatividade é transversal e não uma tendência. Pelo menos, deveria ser assim pensada quando se criam pólos que a colocam em estandarte. A regeneração urbana está na ordem dos trabalhos, na aplicação de fundos, na construção de cultura mas não nos devemos esquecer que é uma operação social.  

A arquitectura é uma ferramenta que ajuda a criar espaços para projectos que não são arquitectónicos. Esses projectos que têm referências internacionais na sua génese, não devem surgir apenas como cópia de um modelo de sucesso nem assumir que a criatividade é um produto. 

30.5.12

+ (pre)encher

© Marta Nunes

Começar um projecto é sempre algo que nos (pre)enche e, as ideias saem como água que brota.
O exercício de apurar as linhas que cozem toda uma manta do que se quer fazer, só fazem sentido quando são partilhadas, mastigadas à mesa de trabalho com petiscos pelo meio. Conheço vários bons projectos de arquitectura (e não só) que foram esboçados, num guardanapo entre o bitoque e um café, efectivamente, quando se é entusiasta na sua profissão, não há realmente horário de trabalho, e, quando a isto se juntam as pessoas certas na equação, a dinâmica operacional é transformadora.

Pensar a arquitectura é jantar com amigos, falar confortavelmente sobre texturas e emoções, entre um copo maduro, dois dedos sobre aquele livro, a arquitectura começa com o que é conforto, abrigo sendo ele aqui personificado. "A força de um projecto encontra-se em nós próprios e na capacidade de percebermos o mundo racional e emotivamente." [1] A arquitectura existe porque o Homem teve necessidade de se abrigar, de se proteger e, curiosamente, hoje a cabana está frágil, não pelos materiais mas por conjecturas.

[1] Zumthor, Peter; "Pensar a Arquitectura".

27.3.12

+ "God is in the details"




Quem é Mies van der Rohe?
A adjectivação pode ser longa, mas sendo ele o autor de "less is more", direi apenas Mies van der Rohe foi Arquitecto.
Mas mesmo assim, ele não foi apenas um simples arquitecto, foi percursor do chamado Estilo Internacional e de um racionalismo sofisticado. A sua concepção depurada dos espaços e o uso dos materiais de forma cirúrgica, fazem edifícios como o Pavilhão de Barcelona, serem obras de referência e extrema importância na história da Arquitectura, aliás importância desde logo reconhecida, pois o pavilhão que era uma construção temporária, foi novamente construído na década de 80.
Hoje, comemora-se o seu 126º aniversário, e, penso o que estaria o Mies a fazer agora se ainda trabalhasse, quais seriam as suas preocupações, se ainda seriam "modernos" os pilotis?

26.3.12

+ tiny

© Michael Pham via Foolscap Studio

Há uma certa verdade no slogan do detergente, que diz "Pequeno e Poderoso", esta coisa da escala impressiona quando também falamos de espaços pequenos, aliás o desafio é inversamente proporcional. Em espaços pequenos, não há margem para o desnecessário e tudo tem que ser pensado como o indispensável, em espaços pequenos o erro mesmo que pequeno faz o estar á medida transforma-se, rapidamente no fracasso. 

É interessante pensar o quanto vivemos "fora de escala", senão façamos o exercício rápido e simples: quando se pensa numa casa para viver, quantas divisões achamos necessárias? Em quantos metros quadrados se traduz isso? No entanto, todos nós conhecemos muito bem o movimento "anexo" em que muitas famílias acabam por "habitar" o seu espaço "casa", em áreas que são muitas das vezes 1/3 da sua habitação oficial. Gosto de imaginar que isto é uma espécie de rebeldia, mas o que é certo é que se analisarmos friamente, se realmente necessitássemos de uma casa com as quatro assoalhadas para viver, nenhum estudante universitário sobreviveria aos seus doze metros quadrados quarto/estúdio/sala/casa. 
O exercício será para o arquitecto, mostrar por A+B que as pessoas ganham mais em ter o espaço à medida e não uns números acima, não sendo sequer preciso evocar o RGEU. 

Exemplos como o Tiny Cafe, mesmo sendo um café, bem sei, levam à anterior reflexão, para nós por cá, espaços como este dariam belas "tascas", nada de mal nisso, se o conceito tasca, não tivesse implicações com condições de salubridade. Sendo um projecto mesmo "tiny", falamos apenas de 13 m2, - um quarto pequeno para muita gente, - onde se assume a pequenez mas tirando partido disso, mais uma vez a flexibilidade está presente nas soluções escolhidas e o espaço adapta-se. 

+ sustentabilidade criativa


Quando o temporário se torna confortavelmente agradável, surgem espaços como este. A flexibilidade e a criatividade são testadas quando nos surgem desafios, situações que nos obrigam a reformular, ou recriar conceitos, ideias. 


Um trabalho desenvolvido pelo Right Angle e pelo Foolscap, mostra como se podem transformar materiais em "bruto" em ambientes com conforto e esteticamente interessantes. A sustentabilidade não passa só pelo consumo de energia, mas começa logo pelas escolhas, os materiais e a forma como pensamos os espaços. Hoje em dia, mais do que nunca devemos pensar que os espaços devem ser o mais flexíveis possível, pois os usos transformam-se consoante as necessidades. 
Em tempos que rotulamos de "crise", devemos ser ainda mais criativos e reutilizar não só objectos, mas também as ideias, reciclar aquelas que são pré-concebidas e pensar que amanhã tudo pode ser diferente.

Enquanto arquitectos, devemos pensar nesse carácter mutável dos espaços, sendo eles estruturas fixas, a criação de conceitos/formas que possam dar essa resposta adaptável é o desafio em que devemos concentrar as nossas energias renováveis.



20.2.12

+ coisas reais

"Às vezes inverto aquela máxima e digo que o optimista é um pessimista mal informado. Eu sujo as mãos, mas faço-o descomprometidamente."
© Manuel António Pina


Quando ainda estudava, o cenário sobre como as coisas estavam, não era camuflado. Uma profissão onde já se assistia a uma saturação de mercado, a dita "crise" chegava não por falta de capital, mas por excesso de pessoas.


A Arquitectura dá status, para muita gente ser-se arquitecto é ser tratado como senhor arquitecto, é ter um desemprego com título, não somos desempregados, somos arquitectos sem trabalho. No entanto, a Arquitectura nunca foi o glamour que muitos correm atrás, aliás é muito mais séria do que outra coisa qualquer que possam pensar. O arquitecto, é o tipo que trabalha sem horários, esfalfa-se para cumprir exigências de todos os lados e ganha o que lhe pagam, para pagar as suas contas, por isso, a frase do António Pina não podia cair aqui melhor. 

Mas se há coisa positiva, nisto de se ser arquitecto(a) é que nós sabemos nos reciclar, ou seja, em cada arquitecto(a) que se "perde", ganha-se novo talento, desde música, moda, ilustração, design, investigação, ensino, da geometria à poesia, da astronomia ao vanguardismo na pintura.  

16.2.12

+ arquitectura dos livros

 © Boekhandel Selexyz - Merkx + Giron Architecten

 © Bookstore Alexis - Martin Jancok and Ajes Sedivec
© Livraria de Vila - Isay Weinfeld
© Fotografias via Dezeen

A arquitectura surge como conhecimento específico, no seu campo específico de contribuir para a qualidade dos espaços construídos. Para tudo há uma escala, o homem surgem como base dessa escala e tudo o que ele usa se desenvolve em proporção dessa referência. 

O espaço desenvolve-se e constrói-se para que caibam homens dentro, para que seja habitado, vivido e usado. Mas qual será a escala usada quando se pensa em livros? 

Quando se visita a Livraria Lello, a última coisa que se pode pensar é nos livros, nos quais até poderemos tropeçar, pois o fascínio está no espaço que foi construído para ter livros lá dentro. Se a livraria fosse dimensionada para ser um simples espaço comercial, certamente o deslumbre seria outro. Aqui a história do uso e da função, ganha outros contornos, se há coisa que espaços como livrarias suscitam é a vontade de permanecer, uma livraria não é só um espaço onde se vendem livros, onde apenas interessa que se desenhem estantes com 30 ou 40 centímetros de profundidade. 
É isso que se percebe, nas novas respostas arquitectónicas, o livro é a escala de base, mas o homem a escala do uso. Estes espaços aparecem hoje como lugares onde se pode sentar e beber um café, lendo um livro, onde somos convidados a apreciar o espaço pelos livros.

Tivesse a Lello mais sofás.

3.11.11

+ da arquitectura


Johannes Norlander Arkitektur foi fundado em 2004. Um gabinete especializado nas várias áreas da arquitectura contemporânea, trabalha para clientes privados, públicos e cooperativos. Sediados em Gothenburg, na Suécia, o seus trabalhos mostram uma simplicidade minimal e uma lógica geométrica que se constrói e desconstrói. 

2.11.11

+ ideias e novidades


Vale a pena passar pelo espaço dos A1 Architects e ver os seus trabalhos.


12.10.11

+ Dresscode


Há muito tempo que não encontrava uma tão boa compilação de humor sobre arquitectura, porque como em tudo rir é o melhor remédio, ficamos mais novos e dizem que faz bem. Talvez seja essa a solução, para a crise, rir pelo menos hoje.

25.7.11

Le Corbusier



Um olhar fotográfico sobre a obra arquitectónica de Le Corbusier.

20.7.11

+ ovo verde

 © via switched

Dai Haifei, de 24 anos, um arquitecto recém-formado, sendo incapaz de pagar os altíssimos preços de aluguer de Pequim, constrói o seu espaço habitável em forma de ovo. A casa de dois metros de altura com duas rodas por baixo é revestida com sacos com sementes de relva na parede externa e talas de bambu no interior. 

Uma construção à escala das necessidades de Dai, uma cama, um tanque com água e uma lâmpada, é apenas o que faz falta a alguém que vive a uns passos do escritório onde se "vive" maior parte do tempo.


via: china daily

19.7.11

+ architecture playground




"It was here I realized that if you play with those typologies and archetypes (such as a door, a window, a column, aroof, ect.) or change proportions, scale, density or gravity, architecture loses its initial banality and transforms itself into an object with another content, another dimension."  Filip Dujardin via Scopio



14.6.11

+ the high line park



"Afeiçoamo-nos ao meio envolvente depois de termos afeiçoado o meio envolvente às nossas necessidades, é verdade." Esta frase do Gorjão Jorge, no seu "Lugares em teoria" pode ajudar a ilustrar, o carácter incessante da arquitectura, esta existe para que o meio envolvente nos afeiçoe. As mutações da apropriação dos espaços, das cidades fazem com que o que "hoje" é uma linha férrea, "amanhã" se transforme num parque, num espaço público.

O High Line Park abriu a sua primeira secção em Junho de 2009, a segunda parte será inaugurada este mês e o que podemos verificar é uma reabilitação de sucesso de uma antiga linha de comboio na zona oeste de Nova Iorque. Um trabalho com a assinatura dos arquitectos Diller Scofidio + Renfro e dos paisagistas James Corner Field Operations.

8.6.11

+ da arquitectura

© Marta Nunes

Quando pensamos em tempo, podemos fazer várias associações, na arquitectura o tempo actua sobre a obra mas também sobre nós. Estamos no tempo em de deixaram de existir estilos, passando a haver linguagens, e é nessa linguagem que o arquitecto deve procurar responder ao tempo em que produz o objecto arquitectónico. Não podemos acreditar que se domina o tempo, mas podemos o usar como representação do nosso pensamento, sendo que quando se cria um objecto arquitectónico há 3 tempos a ter em conta: passado, presente e futuro.

Sendo então a arquitectura representação, o passado é visto como memória, envolvente que molda a área de intervenção, contexto; o presente é a "minha linguagem", a minha interpretação desse contexto, traduzida numa solução que responda a um programa; o futuro é sempre a apropriação e a interpretação dos outros perante o objecto, como a busca de sentido.

(trabalho ainda em desenvolvimento)


5.4.11

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Com a crise, às vezes esquecemos o que fazemos, como isso tem impacto na vida dos outros. Uma profissão tem o seu valor, mas tenho cá para mim que isto de ser arquitecto é bem mais poderoso do que se poderia imaginar à partida, nós podemos criar algo completamente novo. Mas quando olhamos para trás, tudo tem a ver com as pessoas e para as pessoas, o arquitecto é acima de tudo um humanista.


30.3.11

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© Ezra Stoller .TWA Terminal at Idlewild (now JFK) Airport, Eero Saarinen, New York, NY, 1962 
Gelatin Silver Print . 16″ × 20″


28.3.11

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© Foto Jornal i, grafismo "moi"

"Durante as últimas três décadas, Eduardo Souto Moura produziu um corpo de trabalho que é do nosso tempo mas que também tem ecos da arquitectura tradicional. Os seus edifícios apresentam uma capacidade única de conciliar características opostas, como o poder e a modéstia, a coragem e a subtileza, a ousadia e simplicidade - ao mesmo tempo” in Público.


26.2.11

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© Kazunori Fujimoto

Tenho andado, completamente, fascinada com o minimalismo arquitectónico japonês. 
Este é o trabalho de Kazunori Fujimoto uma pequena casa de betão, mais do que uma casa, uma linguagem, uma forma de tornar espaço habitacional, em cenário poético, com o cru dos materiais, a casa é para ser sentida, experimentada, vivida.