Este mês na edição dupla (Julho/Agosto) da
arq./a nada melhor do que as palavras do seu editor para falar da Herança Le Corbusier...
"Apesar das saudáveis opiniões divergentes, é relativamente consensual que Le Corbusier foi o mais importante e influente arquitecto do século XX. Mas qual é o seu legado e como se pode avaliar a sua influência na actualidade? De que modo esse legado se expressa e manifesta na actividade criativa contemporânea? (...)Em termos gerais, a relevância de Le Corbusier parece advir da capacidade da sua obra teórica e prática continuar a produzir novas interpretações, sem nunca esgotar as perspectivas possíveis. De facto, assistimos nos últimos cinquenta anos à construção histórica de Le Corbusier como ideólogo implícito do programa moderno, como pensador empenhado da condição moderna, como arquitecto utópico no âmbito da afirmação da lógica capitalista, como esteta voluntarista da civilização maquinista, como figura demonizada responsável pelos males das cidades contemporâneas, como seguidor humanista da tradição disciplinar clássica, como reinventor criativo das tradições históricas e ancestrais, como génio universal da história da arquitectura, como intérprete empenhado da nova realidade metropolitana, como figura singular de um novo mundo mediatizado, etc. No entanto, tal como acontece com os outros grandes arquitectos da história, a singularidade da obra de Le Corbusier deriva não simplesmente da existência de uma multiplicidade de perspectivas, mas da resistência efectiva à constituição de uma visão sintética e unificadora. A diversidade da sua obra e a imensidade da informação disponível em arquivo determinam a constante emergência de aparentes indefinições, contradições e incompatibilidades no seu discurso e prática, que impossibilitam a constituição de um ponto de vista agregador e, deste modo, uma síntese final do seu pensamento.
Le Corbusier continua a ser um mistério e o fulcro da sua obra um enigma por revelar. Talvez isto se deva a essa incapacidade estrutural de vê-lo distanciadamente como uma figura histórica, a essa dificuldade de resolver definitivamente o seu legado no âmbito da história da arquitectura. Como um espectro multifacetado, Le Corbusier permanece como figura central e inultrapassável da nossa contemporaneidade. E a sua presença continua a afirmar-se consciente ou inconscientemente, explícita ou implicitamente, por afirmação ou negação, nas práticas arquitectónicas contemporâneas."
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