© Marta Nunes
Nunca gostei de desenhos bonitos e sempre tive um jeito para me lembrar de caras.
O desenho valoriza os processos intuitivos e instintivos, sensoriais e quem desenha sabe que cada desenho é único, de um momento único, de uma circunstância de síntese. A percepção vai determinar a nossa forma de apreender a realidade, e a representação é a expressão da personalidade, o traço é igualmente único.
Por isso, gosto de desenhar caras, sejam elas imaginadas ou reais, para mim o desenho é como o pensamento, uma linha contínua, mas que às vezes precisa de pausas para escolher uma ou outra palavra. Intuitivamente, procuro as formas/traços fortes de cada rosto, e como se num único gesto quase que cego, transformo-o em memória física. Só depois penso em cores, plasticidades, o que me interessa é a linha, mesmo fluída procura a proporção.