© Marta Nunes
Começar um projecto é sempre algo que nos (pre)enche e, as ideias saem como água que brota.
O exercício de apurar as linhas que cozem toda uma manta do que se quer fazer, só fazem sentido quando são partilhadas, mastigadas à mesa de trabalho com petiscos pelo meio. Conheço vários bons projectos de arquitectura (e não só) que foram esboçados, num guardanapo entre o bitoque e um café, efectivamente, quando se é entusiasta na sua profissão, não há realmente horário de trabalho, e, quando a isto se juntam as pessoas certas na equação, a dinâmica operacional é transformadora.
Pensar a arquitectura é jantar com amigos, falar confortavelmente sobre texturas e emoções, entre um copo maduro, dois dedos sobre aquele livro, a arquitectura começa com o que é conforto, abrigo sendo ele aqui personificado. "A força de um projecto encontra-se em nós próprios e na capacidade de percebermos o mundo racional e emotivamente." [1] A arquitectura existe porque o Homem teve necessidade de se abrigar, de se proteger e, curiosamente, hoje a cabana está frágil, não pelos materiais mas por conjecturas.
[1] Zumthor, Peter; "Pensar a Arquitectura".

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