25.5.12

Construção Transgénica

© OAPIX 

De repente, todos nos voltamos para o que é tradicional, mas o exercício que se deve fazer é: porque nos afastamos nós do tradicional? 
Vamos todos consumir alimentos biológicos? Mas não foram os alimentos sempre biológicos, a terra deu sempre frutos quando trabalhada e tratada, na mesma medida os homens construíram e edificaram com o que da terra poderiam tirar. A sustentabilidade no construir sempre existiu antes de aparecerem os painéis solares e outras formas de eficiência energética, o uso dos recursos sempre foi pensado à escala das necessidades e não do se pode a vir precisar, não querendo menosprezar a importância da tecnologia, da produção e reprodução, mas não teria sido mais eficaz a combinação, do que a divisão entre tradicional e "moderno".

As técnicas de construção tradicional podem manifestar-se em 3 dimensões: o pensar, do conhecimento; o sentir, da criatividade; e o agir, pela concretização da relação entre os anteriores. Quando percorremos Portugal, podemos muito rapidamente perceber que a Norte granito, a Sul terra, que se percebe como as pessoas usaram a necessidade para construírem com o que existia, sendo logo ali economicamente sustentável, depois a criatividade está no aperfeiçoamento das técnicas, na capacidade de erguer de forma estável paredes em granito, em adobe, tabiques. Da arte e engenho surgiram os artesãos que perceberam as limitações e trabalharam os materiais com a máxima eficácia, quando se conhece a matéria, o uso é sempre optimizado. Será importante então voltar às técnicas tradicionais, mas não como catalogação, ou recolha do que ainda existe, o princípio terá que ser activo, a vontade terá de ser sujar as mãos, aprender fazendo. 

A nossa construção é transgénica, bem como a paisagem como defende Álvaro Domingues.

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