© Margaret Durow
A fotografia é algo que me fascina há muitos anos. Como muitas outras coisas, esse fascínio existe, no que para mim é portador de uma certa beleza ou génio. Nunca quero saber como é feito um truque de magia - assim que o perceber a magia perde-se. Talvez por isso a fotografia me fascine tanto, sabendo como se faz o truque, sou sempre surpreendida. Muitas vezes, a beleza não reside no método, mas no resultado. O resultado dá margem para que a individualidade, a criatividade, a arte se manifestem como o uso de um método.
As metodologias são tão importantes como as listas que fazemos, há um propósito, um objectivo, uma série de passos, mas temos sempre ingredientes extra. É importante construir uma base operacional para o objectivo que queremos atingir, nessa base coloca-se o método que se poderá adoptar, uma charneira de orientação para que se possa começar, usar como referência ou ponto de fuga. Os problemas, esses existindo apenas devem ser consideramos no momento em que ocorrem, e os que temos de início, devem ser vistos como parte integrante de coisas a atingir, como soluções ainda sem resposta. Acho que muitas vezes o nome que damos às coisas é o primeiro obstáculo para pensar de forma clara, ou achar que deve existir uma resposta certa para tudo. Nem sempre existe apenas uma resposta certa, podem existir várias, tantas consoante os pontos de vista, por isso é importante o método, pois ele nos ajudará a perceber qual a resposta mais adequada entre tantas. O fascínio, a motivação, a paixão podem aqui ser sinónimos do que se quer como combustível, quando nos atiramos para a concretização, para o terreno, para o meio da rua, para a folha branca, o cursor intermitente, a paleta vazia.
Aquilo que nos move, não pode ser apenas o que parece ser lógico fazer a seguir, a mudança não deve ser feita porque se está frustrado, porque achamos que já tentamos tudo e não há mais nada a fazer. Podemos não estar a olhar a situação do melhor ângulo e tudo é uma questão de perspectiva, mas se assim não for, a mudança tem que ser com motivação, com entusiasmo, mesmo que ela surja por uma má circunstância. A fotografia é algo que me fascina há muitos anos, e, quanto mais conheço maior é o meu fascínio, por isso acho que nos podemos motivar cada vez que nos conhecemos melhor.

3 comentários:
estava a precisar de ler um post assim.
“Photography, as we all know, is not real at all. It is an illusion of reality with which we create our own private world.” - Arnold Newman
Sim, mas não deixa de ser fascinante.
É sobre esse mundo privado, construção pessoal de que falo!
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