13.12.08

O ovo e a galinha

«(…) Se todas as outras personagens são a representação (a palavra escrita, quer se queira ou não, é uma representação tal como o desenho) de pessoas banais, comuns, que habitam os espaços das nossas cidades, dos nossos edifícios, dos nossos vazios, o ovo e uma galinha, fazendo parte, por vezes, do nosso quotidiano, na frigideira ou no forno do fogão, não nos obrigam a pensar sobre o espaço ou sobre a arquitectura. Com certeza, estes também não são um ovo e uma galinha quaisquer (…). Poderá pensar-se, até, que é absurdo pensar sobre arquitectura a partir da história de um ovo e de uma galinha. A ficção, no entanto, tudo permite. É um mecanismo que testa o próprio limite das palavras como símbolos. Como diz Louise Bourgeois, As palavras interligadas podem revelar novas relações... uma nova visão sobre as coisas. Em arquitectura, também. Nunca podendo igualar o espaço tal como existe, as palavras sobre o espaço podem desencadear novos espaços, mesmo que permaneçam, para sempre, nas palavras, no pensamento. Aqui.»

Por Susana Ventura na Dafne Editora

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