"Tornamo-nos esfinges, ainda que falsas, até chegarmos ao ponto de já nao sabermos quem somos. Porque, de resto, nós o que somos é esfinges falsas e não sabemos o que somos realmente. O único modo de estarmos em desacordo com nós-próprios. O absurdo é (o) divino.
Estabelecer teorias, pensando-as paciente e honestamente, só para depois agirmos contra elas - agirmos e justificar as nossas acções com teorias que as condenam, - talhar um caminho na vid, e em seguida agir contrariamente a seguir por esse caminho. Ter todos os gestos e todas as atitudes de qualquer coisa que nem somos nem pretendemos ser, nem pertendemos ser tomados como sendo.
Comprar livros / para / não os ler; ir a concertos nem para ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece."
in "Livro do Desassossego"
Será assim tão absurdo, aquilo que julgamos como absurdo?